Extensão do prazo para jovens de 15 a 19 anos marca campanha de 2026, que ressalta também a importância da proteção para o público masculino
O câncer do colo do útero é um dos tumores que mais afetam as mulheres, mas destaca-se por ser um câncer potencialmente prevenível. Dados do INCA indicam que, para o triênio 2026–2028, haverá cerca de 19,3 mil novos casos anuais, um aumento aproximado de 13% em relação ao triênio anterior.
Neste Março Lilás, mês de conscientização sobre a doença, o grande foco das campanhas de saúde pública é a ampliação da cobertura vacinal. Neste cenário, o Ministério da Saúde estendeu, para o primeiro semestre de 2026, a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) para jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam o imunizante na idade inicialmente recomendada, de 9 a 14 anos.
Para Vanessa Oliveira, médica oncologista do Hospital Orizonti, a medida reforça a prevenção primária como principal pilar do combate à doença. “Com a vacinação, podemos prevenir a infecção pelos principais subtipos de HPV relacionados ao câncer e, desta forma, impedir as potenciais alterações celulares relacionadas ao vírus que podem levar ao surgimento da doença”, explica a especialista.
Um ponto fundamental da campanha de conscientização é que a vacina não é exclusiva para mulheres. “A imunização masculina pode evitar infecções e lesões associadas ao HPV, que podem evoluir, também nos homens, para outros tipos de câncer, como o de pênis, de ânus e de orofaringe. Além da proteção pessoal, essa medida contribui para reduzir a circulação do vírus na população”, alerta a oncologista.
Avanços no rastreamento e diagnóstico precoce
A prevenção secundária atua por meio do diagnóstico precoce. Além do tradicional exame de Papanicolau, que avalia alterações celulares, a incorporação do teste de pesquisa direta do DNA do vírus, conhecido como captura híbrida, tem sido um diferencial.
A especialista também reforça a importância de a mulher manter acompanhamento regular com o ginecologista, uma vez que a doença pode ser assintomática em fases iniciais. E também estar atenta a mudanças no próprio corpo, pois sintomas como sangramentos ou corrimentos anormais, dor durante a relação sexual ou desconforto na região pélvica podem ocorrer. Outras medidas preventivas para o câncer de colo do útero incluem o uso de preservativos durante a relação e a importância de manter hábitos de vida saudável, evitando, por exemplo, o tabagismo, também associado a um maior risco da doença.





